segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma grande perda

   Analizaram por alguns instantes o bar pelo lado de fora. As paredes antigas, goteiras escorriam pela lateral. Eles conseguiam ouvir o alto som de forró que tocava em seu interior. Os dois assistiram alguns homens armados entrarem no local.
- Por que acho que isso aí é furada? – Perguntou Felipe retoricamente, enquanto acendia seu cigarro. Deu um sorriso irônico e se adiantou para a pequena porta de madeira.
   Felipe e Jack entraram no buteco. Neste instante a música parou. O silêncio era um aviso a eles de que algo não estava certo. Todos os olhares se voltaram para eles dois. Ninguém se movia. Alguns homens armados se aproximaram lentamente, e em poucos segundos, os dois policiais encaravam sete homens armados. Um deles era Eduardo, Que estava armado de um fuzil FAL, que deveria pertencer somente aos militares. Jack tentava falar algo quando foi interrompido por Eduardo.

-Se vocês não vieram para a festa, vão embora antes que alguém acabe se machucando. - Disse sério enquanto todos observavam.

-Acho que agora entendi o que você me disse no restaurante. Deixe-me adivinhar: Você é traficante?-Disse Jack se sentindo meio estúpido por não ter percebido isso antes.

-Parabéns... Descobriu isso sozinho, é?- Eduardo respondou ironicamente. Risadas se espalharam por todo o local- Vai fazer alguma coisa, Jack?-

-Vou sim, vou prender todos vocês. –Ele respondeu seriamente, afrontado pela provocação.

-Tu acha que tem moral aqui? Acha que você e esse seu namorado tem alguma chance? Olha em volta, nós somos muitos. Não tente nada de estúpido.-Avisou Eduardo.

-Vamos sair daqui cara, esquece isso. -Disse Felipe. Ele tinha a impressão de que as coisas iriam se tornar complicadas logo, logo.

   Jack estava pensativo, não sabia o que fazer. Olhou em volta. Estava a ponto de desistir quando lembrou da arma que carregava consigo na cintura.Pensou bastante. Olhando para seu parceiro, podia ver medo em seus olhos. Então em uma fração de segundo sacou sua pistola.

-Larguem as armas!

Todos apontaram suas armas para eles. Felipe apoiava seu amigo, dando-lhe cobertura.

-Abaixa essa arma Jack, não queremos fazer isso aqui.-Disse Eduardo mais sério do que nunca.

   Jack abaixou sua pistola, com o olhar fixo em seus inimigos. Felipe fez o mesmo, se sentindo aliviado. Quando os traficantes abaixaram as armas, Jack rapidamente disparou repetidas vezes contra todos junto de seu companheiro. Em alguns instantes começaram os gritos. Pessoas corriam para todos os lados enquanto as balas voavam estourando garrafas e derrubando objetos. No meio da multidão apareceram treze homens armados.
-Vambora! – Jack gritou.

 Os dois saíram correndo pelas estreitas ruas da favela, porém Felipe não era tão rápido.
Jack pôde ouvir um grito de dor repentino. Virou para trás a tempo de conseguir ver seu amigo no morto ao chão. Vários homens corriam atrás dele, os que eram treze agora pareciam ter se multiplicado. Jack tentava despista-los entre as muitas esquinas do lugar. Entrou em uma pequena ruela, correu uns vinte segundos e se deparou com um muro,era um beco sem saída.

   Pensou que fosse o seu fim,encostou as costas no muro e apontou a arma para frente. Esperou por ver o que viria. Analisou bem o muro e viu que este devia ter uns quatro metros de altura, se afastou.
-Eu vou conseguir. -
 Deu uma pequena corrida e pulou, dando dois passos no muro, esticou os braços e alcançou o topo da parede. Ouviu os traficantes vindo atrás dele. Tiros e mais tiros eram disparados.

   Estava em cima de uma pequena casa, olhou bem e viu que de uma casa para as outras era uma pequena distancia, e começou a saltar de uma casa para a outra assim que viu que os traficantes já estavam subindo o muro.

   Desesperado, Jack pulava de telhado em telhado, ainda podia ouvir os gritos e os disparos dos traficantes, enquanto pulava distancias pequenas, bem na frente pode ver que havia uma distancia de quatro metros. Se concentrou, aumentou a velocidade e saltou.